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Tom Custodio da luz


Tom Custódio da Luz é natural de Blumenau, Santa Catarina, e viveu em Piçarras quando criança e posteriormente em Balneário Camboriú. Envolveu-se primeiramente com a composição de músicas aos 14 anos, idade com que compôs a primeira canção. Aos 15 ganhou seu primeiro violão e vem compondo desde então.



Em 2011 começam as gravações de seu primeiro CD, que ao final do processo seria batizado de “Fuga”, com 13 canções de sua autoria. As gravações ocorreram ao longo do ano e o álbum foi lançado em julho de 2012. O trabalho está disponível para venda na internet, em lojas de música e livrarias pelo país.

 

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Fotos


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Letras


E agora, Tião?

Eu não sei mais como eu chego em casa, Tião. Eu não sei mais como eu tiro a minha roupa pra mim. Sistematizei busca por chão, enumerei tarefas, fiz uma tese e, já disse, não achei lar desde então.
No caminho de esmero do primeiro lugar eu andei. Pela beleza dos sem lugar também me encantei. A amargura dos fracos, a postura dos fortes, os tapas, os amassos, me joguei da janela pra ver que já era.
Virgem!, que carma que eu tenho, que o lindo desenho de outrora sumiu. Valha-me deus!, eu, ateu, já fiz prece e o sol do meio dia insistiu.
Fiz, pois, mil poemas e mil esquemas, fui rei das Sofias, dos Joões. Me vendi por pouco, também fui santo. Tudo em que estive pareceu nada. Vi nada. Fui menos.
Eu nunca gostei de futebol, meu irmão, nem das moças de sainhas, virgens e afins. Preparei-me pra minha guerra de mim contra mim mesmo, pra ver se eu ganhava. Era muito o peso de viver.
Eu não achei na foda força pra me erguer, nem mesmo em beijos ternos. Tudo tão enfadonho pra mim. E, lembra, é quase que eu largo, é quase agora que eu passo, eu quase me dou um trato, mas olhei da janela e vi que, de vera, é quase agora que eu canto, é quase agora que eu ganho, é quase agora que acordo. Eu só preciso de um banho.
Me diz, Tião, é assim que se anda por ela?

Polipolar

Eu vou apertar meus laços, se vêm junto hóstias canto vômito de Ogum pra poder ser rum.
Virulências mil e eu danço som do meu ignoto canto, linda num showroom, se eu não corto o boom.
Aí tanto faz plebe ou rei. Eu sou não sei, eu sou ninguém. É vírus, grana, é merda, só. De panterisse eu vou melhor.
Eu, eu, eu, eu gingo prantos. Cor, silêncio, vem que eu monto. Cá em Hollywood desproseio o sul. Que é do meu feitio os tantos de luz branca, mas meu quarto... Se eu fosse um blue eu seria azul.
Os meus pezinhos mancos, pai, me vem que o dia assim não vai.
Por que é que eu vim parar aqui? Até de aqui jaz sou capaz.
Me beija um beijo e logo o espelho é bom demais, vida me apraz, mundo é meu súdito porque o mais sagaz dos pensamentos é meus ais e os meus olhos são o cais de todo olho desejoso, vivaz. O sol de todos me é fugaz, mas se reverbera minha voz nós somos um.
Já que aqui nas redondezas enfim vigora a calma, som-despretensão, cai no meu colchão.
Brindemos a anistia com tudo que me alivia. Chão, fiques aquém do meu rum. E amém.

Sobre a flor

Rosa em seu lábio, em seu laço
Em seu cacho tão vistoso
Preguiçoso me sacio
Em seus córregos, seu seio
E seu riso, meu cais de tudo
Vem lindo, claro, inusitado
Seja rosa, lilás, branco
Me apraz como nada seu canto
Eu fico bem quietinho pra sentir
No veludo e na calma
Do lilás sedoso, pétala
Que me abraça e envolve
A cada sílaba de duras e rudes palavras
Que não cabem, não expressam a ternura
Da flor que me envolve e enlaça
Em seu branco querer
Em seu beijo, em sua graça
Nunca precisa fazer
Um ensaio, uma dança
Já me ganha só com seu perfume
Sua luz e, baixinho, uns sussurros
Que são misturas de cores
Mas são brancos, seus, são puros

Desculpe (Tom Custódio da Luz/Lucas Vanatt)

Desculpe, meu bem, se passei tão depressa, se minha vontade ao tempo não interessa, se o tempo impede esse nosso forte e pulsante querer. Sei, não lhe importa essa minha frustrada canção, é só uma tentativa, bem, de dar boca e língua ao meu coração.
Ah, peço que tudo pare, te retrato em uma imagem mental, decorando através dos meus lábios e toques teu desenho e caminhos a caminho do...
Ah, em uma prece sem destinatário clamo que fiques comigo, sem tempo contado ou chorado. Pra que possamos, meu bem, assistir ao céu a se iluminar sem nos preocuparmos com a hora de dormir. Pra que não tenhamos que lamentar a hora em que outro tem de ir.

Damien

Damien, it’s come to this. I cry for air and night it is, Damien. I can’t help, now, but recall the fall of the first empire and your hand of god that drew a pair of eyes in me. Oh, Damien, my paradise... what has been done of sweet old love? Were lies the sweetness, tenderness? The theme of yore was just a phase? The beauty in me, has it become disgrace? What have I done for me to lose my place? Must I get back with acting scenes?
Despaired, what should I do?, I asked myself. I would have not made through without your song, my private sir devil. No longer alone I was. My glass to you I raise, for I then reconciled with my mind. My dear, you deserve, and I deserved a private devil.
Silly young nights, dear, oh you just read right through me. My head high was mine, so good this bit of self control. Silly young nights forever and I’d be pleased... but what’s my free thought bringing to me? Is it white light of dawn? No, get out. Turn off.
Is darkness boring me? I’ll light a cigarette, that must amuse. One more dose. I’ve put on many shows. It made me free long ago. Why, then, is it falling apart? Out with rock’n roll, it has been hurting my head so, it’s been a prison to my scotch.
Damien, it was such a delightful ride, but now I have to move on.
Out with the nights, enough of you. Free me. It has been time to go for long, let me. You’re now a bore, let go. Don’t make me get down on my knees.
I might get back sometime with scotch, low light but, rock’n roll aside, your smoky breath does not go down my throat no longer, no more. It’s not that easy, is it? You’ve been caging me with nights for long, you monster. I’ll have the sun to open an opposite show.
Damien, Damien... what good are you?

Outsider

Burburinho d’uma rua. Lá em cima cor de da cor correr. Os espelhos diferentes desses filhos de sua cor. Aqui o tempo vale um pé de flor, mas flor é quase dissabor. Que medo de seus lábios. Terra estranha onde eu não sei ser.
Não me olha com esse gelo no olhar porque eu não sou um homem daqui pra saber a hora de poder respirar e as coisas que se deve engolir.
E se eu vir pra que serve o ardor, pra que serve o correr, veria eu tudo, ou não seria mais eu?

Fuga

Fuga dos meus acordes, fuja. Cuspa no sol da manhã. Vá trazer pros tons o azul e os outros. Fuga, sopro de vida, cuida do brilho no teu correr e, lembra, não esquece um maço.
Vê só que dessa vez é de água. Foi vento, foi carne, foi. Vai lá, uma hora aparece algo de bom e o viço do som pode ser um par de asas pra fugir com mais jeito, com peito e cor e a dor de outrora findou. Que a fuga resolva toda melodia triste em que me vou.
Fuga, eu queria uma hora dessas não ter que acompanhar o teu passo pra eu respirar, mas enquanto esse chão não me serve pra andar, me leva contigo que até acho bom fugir.

Placidez, pena e papel

Eu quero usar chinelo quando for verão. Eu quero ir pra uma casa de verdade. Eu quero pão.
Eu quero um vento corpo inteiro e não quero não.
Me diz que eu ainda abandono esses dias e dias pra mim o que aparece na água cristalina de um lago se eu saísse desta beira e fosse àquela, tomasse um gole e descalçasse minhas botinas.
Vinde, que eu não vou de jeito nenhum, ainda que almeje um passo algum. Vem pra me benzer e pra me socorrer de mar.
Sopra não meu rosto, lindo sol, eu vim tão devagar, de tão maldito procurar. Coze não meus pés, terra de chão. Vim de nenhum lugar pra ver se aqui encontro perdão.

Cotidiana

Voltar pra casa, te ver na sala, te ver deitado é bom, te ver sonhando eu perco as estribeiras da pequenez e até acerto o tom o dia inteiro com
Tua leveza, eu encho a geladeira piro na minha sorte, traço três mil nortes que o teu número da sorte é tudo que eu quis
Te ver chegando da sacada. Beijar tua boca é bom, tirar tua roupa então... Te ouvir cantando desafinado que eu te ajudo com a força que tu me dá
E a gente ri um bocado que a vida agrado assim não dera antes
Eu ainda odeio tanto e me chateio o quanto dá pra agüentar. Ainda me flagro nada, pelo covil dos monstros insisto ir. Eu ainda sou um branco, mas teu riso é tanto que me vai buscar pra contar mentirinhas e nas entrelinhas, então, me fazer ver
Por tua ternura, toda tua candura, por tua cara dura de dizer que me ama, teu olhar pidão e tua boca que chama, que eu tenho razão pra levantar da cama
Enfim em casa, contar do dia e a gente sabe que o do outro só agora é que aconteceu.

Reza

Bruma, redemoinhos e espuma do encontro do mar com a terra. Deus queira encontro de dois mares. E a brisa que sopra infinitas brancas velas que cortam essas duas lindas, perigosas feras.
Dia sim, outro também, se entrechocam, se espalham um pelo outro no afã de, então, ser cada um por si. Cantilena que entoam os delata. Soprem forte ou soprem fraco, sopram vento morno, cada um
E a costa bebe um vento só, como se viesse das águas um hálito conjunto de uma água e de um rugir.
A corrente tende sempre a puxar tudo pro sul e é dos mares se juntar pra esquecer a lei do mar e só se preocupar em ser azul e um.

Do outro lado do morro

De longe pra mim abana o andar de duetos sem fim e risos afins. E o terno em mim endoida o andar dos meus mocassins pro lado de lá. O dia que vem e eu ainda aquém. Ai valsas a flor vai me chamar pra dançar
Vai correr a melodia à frente do espelho embaçado, solitário. Vai correr de nada, vai correr pro seu lugar. Não invada ali, não, percussão. Flor que me perfuma os cabelos negros de homem desfeito e me acaricia os dedos duros de pedreiro sussurrando o seu roxo, meu lugar. Espera que eu já chego, mundo inteiro. Eu venho pela cor e pelo gosto e pelo cheiro. Só assim que eu sei que a bíblia não vai me enganar. Pára o resto do barulho. Vai soar tão lindo vindo do escuro o dueto máximo do que é puro
Fico, sou e canto, mas só lá

Pro mar

De longe eu vim, meu bem, pra contigo andar nas ruelas escuras perto da beira-mar. Cidades destruí e fortes adentrei. O ouro que possuía aos poucos eu deixei. Colhi tua mensagem, deixei-te ser pivô de muitos dos divórcios meus. Deus não errou ao te jogar em mim, mostrar-me vida e cor pra que eu corresse atrás de mais.
“Mais!”, um dia eu gritei. Nem mesmo chorei por ter que largar você do meu colo. Eu tanto vivi e tanto amei contigo ao lado que o nosso caso me deixou querendo mais.
Correndo pra beira eu sei que é besteira eu voltar atrás. Te deixo te amando e sigo buscando pra minha vida paz.

Da falta

Foi no vai e vem do mar. Foi-se o ribombar do chão. Foi-se como que pra nunca mais voltar. Deixou no encalço de sua fuga um não. Foi-se, e é da ida todo o azular e o cantar doído da lamentação.
E é pro vai e vem do mar que se faz toda canção. Vai que na maré que vem volta na onda o tempo bom.
Ao lento arrastar do dia, mesmo, vem, ao leme de um não sei quê, raio de sol.
Eu que não espero mais, não, na beira do mar. Vou é encontrar o que um dia o mar me levou. Eu que não espero mais, não, na beira do mar, que sobe e desce a maré e me leva também.
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